S.O.S costumes porteños: dicas de como agir em determinadas situações

Há algum tempo tenho prestado mais atenção em alguns fatos curiosos daqui. Coisas que fazem parte do dia a dia porteño e que acabam virando rotina para os que vivem aqui. Tenho coletado informações de amigos e parentes que vem nos visitar, para saber o que chama a atenção no sentido comportamental.

Como uma brincadeira, decidi formular o “Manual de Bons Modos” (antes que dê polêmica, não estou chamando ninguém de mal educado,hein?)para quem vem para cá saber como agir em algumas situações.

1- Ao pegar ônibus

As paradas dos colectivos (como se chamam os ônibus por aqui) são encontradas, em sua grande maioria, por plaquinhas azuis indicando o número da linha e algumas vezes possuem um resumo do trajeto. Mas muitas vezes, as tais plaquinhas estão de maneira improvisada: plaquinha pendurada na árvore, em algum poste ou até mesmo nenhuma indicação. Mas aí vem o ponto chave: sempre há uma fila. E que deve ser respeitada. Sempre! Ali na fila todo mundo é igual: idoso, grávida, jovens, todos entram na mesmíssima fila. A prioridade só acontece dentro do ônibus.

Portanto, preste atenção para não ser vítima de nenhum olhar de reprovação.

2- Senha para ser atendido em uma loja

Ao chegar em uma loja na qual você precise da ajuda de algum atendente no balcão (lojas de roupas, sapatos e acessórios geralmente não acontece) procure pela máquina de senhas. Sim, mais uma vez voltamos a tal da fila. Acho ótimo, a organização funciona e todo mundo tem a sua vez. Em alguns casos existe até a senha da prioridade: é mais rápida mas mesmo assim ninguém foge da tal fila.

Procure essas fitinhas que não tem erro

3- Cafés e restaurantes

Você vai a um restaurante ou café. Todas as mesas estão sendo usadas. Você pede para o mozo/moza (garçom/garçonete) uma mesa para tantas pessoas e fica em pé esperando a sua vez. Todos percebem que você chegou, que precisa da tal mesa. Ninguém levanta, mesmo se já terminou, mesmo que esteja simplesmente lendo um jornal, conversando com uns amigos, trabalhando do notebook. E isso é super normal.

Aqui ninguém se sente na obrigação de sair logo da mesa porque já terminou de comer. Eles estão ali aproveitando o dia, as companhias, o fato de ter um lugar para poder ler ou trabalhar tranquilo.

Não adianta se estressar, achar um absurdo, porque ninguém do estabelecimento vai fazer algo a respeito. Sim, é super comum a pessoa ir em uma cafeteria e pedir somente um café e com ele passar a tarde toda no local. Meu conselho é: se está com pressa, programe-se para chegar ao local fora dos horários mais movimentados (como hora de almoço). Se seu dia está tranquilo, faça como eles: espere sua vez, se sente e fique o tempo que tiver vontade, aproveitando a paisagem, a conversa, os quitutes…

Olha aí: as pessoas tranquilas em suas mesas no Como en Casa

4- Esperando para entrar em um prédio

Imagine a cena: você está visitando algum amigo ou parente que mora em Buenos Aires. Interfonou no apartamento e está esperando que ele desça para abrir a porta. Neste momento aparece um morador. Abre a porta, entra (ou sai) e fecha a porta na sua cara. Falta de educação? Não! Segurança!

Grande parte dos prédios não possuem porteiros e dessa forma não há como ter controle de quem entra e de quem sai. Quem faz isso são os moradores. Portanto, nada de se sentir ofendido. O morador em questão não te conhece, você não passa de um estranho. Nada de deixar você entrar com ele para “aproveitar que a porta já está aberta”. Lógico que existem exceções, raras,  nos quais você dá uma ótima explicação de quem é e para onde vai e a pessoa te deixa passar.

O mesmo acontece quando você é novo no prédio (ou está em um apartamento de temporada). Para aproveitar a “carona da porta aberta” só mostrando a chave e se identificando. É super comum. Mas  que é estranho, isso é: levei um bom tempo para achar natural fechar a porta na cara das pessoas.

Não é sacanagem ,nem maldade. É segurança!
Foto: reprodução

5- Gostar de algo e a última peça estar na vitrine

Você vê uma roupa na vitrine, adora, pede para experimentar e… é a última peça. “Nossa que sorte!”, você pensa. Não é bem assim. Porque? Porque muitas lojas (nunca fui a uma que fizesse o contrário) não vendem essa última peça quando ela está na vitrine.

Uma explicação? Não tenho ideia (se alguém souber, por favor nos conte!). Mas o fato é: não adianta fazer cara feia, chorar, espernear, xingar. Você até pode tentar jogar uma conversa na vendedora. Mas geralmente não funciona.

Nem o Homer (ou Homero) entende o porque disso tudo…

E aí, tem alguma outra dica ou fato que tenha chamado a atenção? Conte pra gente!

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