Afinal o que é o cubierto?

Semana passada voltei a alguns locais tipicamente turísticos para acompanhar nossos amigos. Ao chegar nos restaurantes, percebi que algumas pessoas ainda ficam sem entender uma cobrança na hora da conta: o cubierto.

Mas afinal de contas, o que é isso e porque é cobrado?

Encontrei uma ótima reportagem do Planeta Joy (reportagem na íntegra em espanhol aqui) e vou usá-la como base para explicar essa cobrança polêmica.

O cubierto (ou serviço de mesa) é um valor que se acrescenta a conta, cujo custo e aplicação variam de acordo com cada local.

Muitos dizem que seu surgimento tem como base um decreto de lei surgido em 1946 durante o primeiro governo peronista. Nele proibia-se o recebimento de gorjeta na área gastronômica. Surgia então o chamado “laudo gastronômico”, que estabelecia a formação de um fundo comum, obtido de uma porcentagem pré estabelecida por cada empresa (cerca de 20% da conta) que se somava a consumação do cliente e era distribuído aos funcionários. Em 1980 o governo militar colocou um fim nesta prática e a gorjeta voltou a ser critério dos clientes.

Então a gorjeta e o cubierto são a mesma coisa? NÃO! cubierto não chega aos bolsos dos garçons.

Pra quem não sabe, cubierto em espanhol significa talher. Então isso significa que pagamos pelos talheres? Mais ou menos. A reportagem relata que muitos turistas perguntam ao pessoal do restaurante se vão ser presenteados com um garfo ou faca. Sim, é confuso! Os próprios argentinos não entendem bem o que significa essa cobrança. Não se sabe se cobram pelo uso dos talheres e guardanapos (por mais bizarro que isso possa parecer) ou pela cestinha de pães e os molhinhos que os acompanham.

Os apoiadores da taxa dizem que a cobram, porque oferecem pães com acompanhamentos ou algum tipo de bebida para os clientes. O mais engraçado é o fato de que, ao contrário do que estamos acostumados no Brasil, mesmo que a pessoa não queira os pães, será cobrado da mesma forma. Então já estão avisados! Aproveitem para comer!

A ala contra a cobrança defende a ideia de que os restaurantes deveriam fazer uma declaração do que exatamente está sendo cobrado e deixá-la ao alcance do público. Dessa forma, saberíamos o que estamos pagando.

Vale a pena ressaltar que o cubierto é um valor inteiramente revertido ao restaurante e não aos garçons. Por isso, ao entregar a conta, os mozos (garçons) deixam claro que os 10% não estão incluídos. E não podem (por lei) ser incluídos na conta quando esta é paga com cartão. Ou seja, quem quiser pagar, tem que deixar um dinheirinho na mesa (ou em mãos) para ele.

Então já sabe: não adianta brigar com o garçom. É polêmico, é confuso, mas é obrigatório. Felizmente alguns restaurantes não o cobram mas a grande maioria sim.

O valor geralmente está impresso no rodapé dos menús e variam de 6 a 10 pesos por pessoa.

Dúvidas esclarecidas?

 

 

 

 

 

Anúncios